O Cigarro e suas consequências


Rita Regina Fabri e Margherita Trombetta Lima*

O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. A maioria dos usuários desconhece os danos causados pelo uso e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais da metade deles morrerá de uma doença relacionada ao tabaco¹.

A OMS ainda verificou que o tabaco mata quase 6 milhões de pessoas a cada ano no mundo, incluindo mais de 600.000 não-fumantes expostos ao tabaco¹.

No Brasil, as estatísticas informam que cerca de 200.000 pessoas morrem por ano, ou seja, mais de 500 por dia, em consequência do hábito de fumar.

É possível libertar-se

A motivação individual para deixar o vício é um dos fatores mais importantes na cessação do tabagismo e, se você quer parar de fumar, saiba de antemão o que esperar:

- A dependência à nicotina é difícil de ser ultrapassada. Parar de fumar é uma coisa, largar de uma vez por todas o fumo é outra coisa. Estabeleça alvos de abstinência: um dia, uma semana, três meses, até parar de fumar para sempre.

- Analise sua rotina para ver quando você procura o cigarro, e altere esse padrão. Por exemplo, se fuma logo após as refeições, crie a determinação de levantar-se logo em seguida e caminhar ou lavar os pratos. Se você fuma somente quando encontra os amigos, cuidado para não se tornar um dependente.

- Uma coisa muito importante é que a vontade de fumar (“fissura”) não dura mais que cinco minutos. Nesses momentos, para ajudar, você poderá chupar gelo, escovar os dentes, beber água gelada ou comer uma fruta. Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou manuseie objetos pequenos. Não fique parado - converse com um amigo, faça algo diferente que distraia sua atenção.

- A síndrome de abstinência tende a iniciar-se algumas horas após a interrupção, aumentando nas primeiras 12 horas e atingindo, em geral, o auge no terceiro dia. Porém, vai desaparecendo conforme o corpo vai se livrando da nicotina.

- A síndrome de abstinência varia de pessoa para pessoas, e pode incluir sintomas psicológicos (humor disfórico ou deprimido, insônia e sonolência diurna, irritabilidade, frustração, raiva, ansiedade, dificuldade para concentra-se e manter a atenção, inquietação, fissura ou “craving”); sintomas biológicos (frequência cardíaca diminuída, pressão arterial diminuída, aumento do apetite, ganho de peso, incoordenação motora e tremores, tosse, constipação ou diarréia); e também relacionamento social instável em consequência da ansiedade³.

- Se a idéia de engordar o incomoda, lembre-se dos benefícios de parar de fumar. E lembre-se que é possível evitar o aumento do peso, com mudanças da dieta e a prática de exercícios. É bom ter frutas e hortaliças à disposição. E beba muita água.Você também pode procurar uma nutricionista.

- A síndrome de abstinência é uma das principais causas de recidiva, mas não desista. O importante é continuar tentando. Você pode procurar ajuda e fazer parte de um grupo de apoio, fazer reposição de nicotina, usar antidepressivos, ou outros medicamentos com a ajuda de um médico.

Os benefícios de parar de fumar

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, os fumantes, quando comparados com os não fumantes, apresentam um risco: dez vezes maior de adoecer de câncer de pulmão, cinco vezes maior de sofrer infarto, bronquite crônica, e enfisema pulmonar; e duas vezes maior de sofrer derrame cerebral. Porém, se você parar de fumar:

- Vinte minutos depois a pressão arterial e os batimentos cardíacos retornam ao normal;

- Após duas horas não há mais nicotina no seu sangue;

- Após 8 horas o nível de oxigênio no sangue se normaliza;

- Após 2 dias seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar já degusta a melhor a comida;

- Após 3 semana a respiração fica mais fácil e a circulação sanguínea melhora

- Após 10 anos o risco de sofrer infarto do coração será igual ao de quem nunca fumou, e o risco de desenvolver câncer de pulmão cai à metade;

- Após 20 anos o risco de desenvolver câncer de pulmão será quase igual ao de quem nunca fumou.

Referências bibliográficas:

1.      WHO Report on the global tobacco epidemic, 2011, http://whqlibdoc.who.int/publications/2011/9789240687813_eng.pdf)

2.      Disponível: http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=parar&link=oqueganha.htm

3.      Dórea, A.J.P & Botelho, Clovis. Fatores dificultadores da cessação do tabagismo in Diretrizes para cessação do Tabagismo, (coordenador Carlos Alberto de Assis Viegas), Jornal Brasileiro de Pneumologia 30 (Supl 2), Agosto de 2004, pg S42

(*) Rita Regina Fabri (psiquiatra) e Margherita Trombetta Lima (psicóloga) – CliniCassi Sul