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Filho de funcionária BB desafia autismo e se torna jovem independente

Foi somente aos seis anos de idade que Guilherme Lustosa Haiek, o Gui, de 28 anos, começou a falar. Filho da funcionária BB aposentada Célia Haiek, nascido na cidade de Registro (SP), o garoto teve um desenvolvimento considerado normal até completar seu primeiro ano. A partir deste período, a vida da família começou a mudar: o garotinho não atendia mais quando era chamado, deixou de brincar com outras crianças, tinha dificuldade de olhar nos olhos das pessoas e só foi andar com um ano e cinco meses.

Após um ano e meio de terapias com fonoaudiólogo e psicóloga, sem contar a saga por inúmeros médicos e especialistas, o diagnóstico estava próximo. Finalmente encontramos um excelente psiquiatra em São Paulo que nos deu o diagnóstico fechado: Guilherme tinha Síndrome de Asperger, o que chamavam na época de ‘autismo leve’. Ficamos assustados pelo desconhecimento, mas o diagnóstico é libertador. Lembro que pensei no futuro e pedi que meu filho tivesse autonomia e independência. Assim, ele foi acompanhado até a adolescência e hoje é um homem cheio de personalidade, capaz de levar a sua vida”, conta Célia.

 O caminho foi longo, chegou o momento da inclusão escolar, vieram os desafios da socialização, havia uma dificuldade alimentar severa e tantos outros obstáculos que surgiram, como as brincadeiras de mal gosto que magoavam Guilherme e toda sua família. Mãe de três filhos, Célia, então Gerente Geral de Unidade, da cidade de Jacupiranga (SP), vendo o baixo rendimento escolar do filho, não desistiu. Ela lia para ele e interpretava textos como uma atriz de TV, o que despertou a atenção do garoto. Ao longo do tempo tudo se acalmou e ele passou a ser admirado pela inteligência. Todos os anos, até o final do ensino médio, prestou prova de bolsa e obteve os primeiros lugares. A memória fantástica o ajudou muito.

Em julho de 2016 Guilherme se formou em Matemática Aplicada a Negócios na USP Ribeirão Preto. O jovem também morou em São Carlos (SP), onde cursou por 18 meses Ciência da Computação. Entre suas conquistas, apesar de ainda ter chegado à independência financeira, há os oitos anos em que viveu fora de casa, parte deles com a irmã, mas a maior parte morou só, a 530 km da família e a tão sonhada CNH.

Ao ver a vida de Guilherme se transformar, a de Célia também ganhou novos rumos e se tornou a melhor co-terapeuta que seu filho poderia ter. Aposentada do BB desde 2016, hoje ela é presidente da Amar (Associação Amigos do Autista de Registro), participa ativamente do Grupo BB Azul e do Grupo PcD do BB, ambos formados por funcionários BB. Além de lutar por políticas públicas em diversos órgãos de sua cidade, como: prefeitura, câmara municipal, departamento de saúde, educação e social, defensoria e ministério público.

“O Gui é feliz? Ele diz que sim. Ele é disciplinado. Adora uma rotina. É sistemático. Dorme sempre no mesmo horário. Tem manias diversas. É capaz para qualquer questão computacional, a mais complexa que você possa imaginar. Faz contas de sete páginas, apesar de não construir relações de amizade. Mas o que eu e o meu marido queremos para o Gui? Que seja feliz e que tenha independência”, finaliza.

Dia Mundial do Autismo
Desde 2007, 2 de abril foi escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data tem como objetivo divulgar informações e derrubar preconceitos em relação ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que atinge cerca de 1% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesta data, vários pontos turísticos do país são iluminados de azul, cor que simboliza o autismo, por sua predominância entre o sexo masculino.

Grupo BB Azul e Apabb
Desde março de 2015, funcionárias do BB, mães de filhos que se enquadram no TEA (Transtorno do Espectro Autista), se uniram e criaram um grupo no Facebook chamado BB Azul. Através da rede social, elas trocam experiências, se ajudam mutuamente, fazem coro para a conscientização e ganham força para conquistar mais qualidade de vida. Atualmente, o BB Azul demanda, junto a Cassi e ao BB, ações relativas às necessidades das pessoas com deficiência. Hoje, o BB Azul conta com centenas de participantes e, para fazer parte, basta pedir autorização pelo Facebook ou escrever para rejanezanello@icloud.com.

Apabb
Fundada há mais de 30 anos por funcionários BB, pais de pessoas com deficiência, a Apabb está presente em 14 estados do país e mantém suas portas abertas para todas as pessoas e para as deficiências, não só para o funcionalismo BB, mas também para a comunidade. A instituição oferece projetos nas áreas do esporte, do lazer e do serviço social e soma mais de 100 mil atendimentos anuais. Para conhecer o trabalho, apoiar financeiramente ou ser um voluntário, basta acessar: www.apabb.org.br ou escrever para faleconosco@apabb.org.br.

 


Data de publicação: 02/04/2019