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Inserção profissional ainda é desafio para pessoas com deficiência

Apabb luta para capacitar e apoiar candidatos e empresas

De acordo com o artigo 34 do capítulo IV da LBI (Lei Brasileira de Inclusão - Lei nº 13.146), a pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Neste sentido, a Apabb (Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência, de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade) trabalha para promover a autonomia e a independencia das pessoas com deficiencia  através do trabalho, independente da condição de cada um.

Investindo nas potencialidades individuais, a instituição atua de duas maneiras: prepara pessoas com deficiência para ingressar no mundo do trabalho, por intermédio da educação e qualificação profissional, com projetos de capacitação e/ou oferece acompanhamento de equipe multidisciplinar junto à pessoa com deficiência, sua família e a empresa contratante com o projeto empregabilidade, onde promove o encontro entre empresas com vagas abertas e profissionais com perfis ideais, por meio de seu "banco de talentos". Além disso, a Apabb também prepara os locais e seus times de colaboradores para se adequarem às condições das pessoas com deficiência, desenvolvendo a acessibilidade atitudinal, arquitetônica, instrumental e comunicacional.

Em 2022 estão acontecendo aulas em projetos de capacitação profissional em seis estados, com mais de 100 participantes: CE, ES, GO, MG, PR, e PE, todos eles com mais de uma turma. Os cursos são certificados e entre eles há formação para operador de computador e assistente administrativo.

"O projeto empregabilidade, dentro da metodologia do 'Emprego Apoiado', que envolve o desenvolvimento de ações desde antes da colocação do candidato até o acompanhamento pós-inserção, passando por  uma capacitação direcionada, é um importante instrumento de inclusão e de desenvolvimento para as pessoas com deficiência. Vai muito além da geração de emprego e renda. É a conquista de independência, valorização e autonomia", conta João Leopoldo Silva Petry, presidente da Apabb.

A conquista da carteira assinada

Antes mesmo de todas as turmas dos projetos de capacitação chegarem ao fim já há alunos inseridos no mundo do trabalho, como é o caso do Marcos dos Santos Oliveira, de 38 anos, que tem tetraplegia parcial, uma deficiência física, e participou do projeto Inclusão Profissional da Pessoa com Deficiência, da Apabb ES, que fica em Vitória. Marcos foi qualificado para atuar na área de rotinas administrativas e conseguiu uma contratação em regime CLT, segundo ele, "um sonho realizado".

“O projeto foi de extrema importância na minha vida e ainda está sendo porque não tem como esquecer o que aprendi. Através do conteúdo dado no curso, foi possível entender questões referentes postura e ética profissional. As aulas sobre preparação do currículo eram tudo que eu precisava, pois no meu primeiro emprego eu comecei sem experiência nenhuma e sem uma preparação profissional. Se eu tivesse conhecido o projeto da Apabb antes é certo que eu estaria na empresa até hoje", comenta Marcos.

Assim como Marcos, Juliane Moreira dos Santos, de 18 anos, que tem deficiência Intelectual leve, também conseguiu seu primeiro emprego através do apoio da Apabb. A jovem, que frequenta a Apabb PR, que fica em Curitiba, visitou uma feira de empregabilidade com a equipe de assistência social da instituição e conquistou sua vaga, também em regime CLT. "Só tenho a agradecer a equipe toda por ter me encaminhado para uma empresa muito legal", comemora Juliane.

Inserção ainda é desafio

Apesar da existência da Lei de Cotas de 1991 (artigo 93 da LOAS – Lei nº 8.213), que determina que empresas com mais de 100 empregados devem ocupar de 2% a 5% das suas vagas com pessoas reabilitadas ou com deficiência, há obstáculos que dificultam seu cumprimento e a inserção profissional ainda é um desafio. Alguns deles são a falta de acessibilidade, o preconceito dos empregadores quanto à capacidade laboral das pessoas com deficiência e a carência de mão de obra qualificada.

"Ao incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, não estamos apenas oferecendo um salário, mas também a oportunidade de aprender e interagir com outras pessoas, o que pode ajudar na sua independência, autonomia de vida, a possibilidade de fazer amigos, pertencer a um grupo social e até mesmo contribuir com a renda familiar. Outro ponto positivo é o fato das empresas terem a oportunidade de conhecer de perto as necessidades das pessoas com deficiência, o que favorece a desmistificação de possíveis preconceitos. Sem contar que a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para que o ambiente corporativo estabeleça uma cultura organizacional que inclui a diversidade humana", finaliza Anna Beatriz Leite, coordenadora nacional de Serviço Social da Apabb.

21 de Setembro
O dia 21 de setembro é lembrado como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Ter um dia no calendário nacional para falar sobre a luta da pessoa com deficiência mostra a importância do assunto. A data traz visibilidade à causa e foi escolhida para coincidir com o Dia da Árvore, representando o nascimento das reivindicações de cidadania e participação em igualdade de condições.

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Data de publicação: 21/09/2022

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